Hans Baldung Grien, A Morte e a Donzela
Dos pintores da Renascença, este é talvez dos que mais me atrai devido à intensidade psicológica das suas obras.
Hans Baldung Grien nasceu em Gmund, na Suábia, em 1509. Foi discípulo de A. Dürer em Nuremberga e, em 1509, estabeleceu-se em Estrasburgo, onde fez o resto da sua brilhante carreira: um apaixonado dedicado ao novo espírito secular das artes, um aplicado estudioso da Natureza e dos poderes da magia.
Baldung foi um homem de uma nova era. Já em 1507, no seu S. Sebastião, o retábulo de Halle, ele empregava com arrojo a cor, usando sombras inovadoras para alcançar efeitos dramáticos. Por trás do santo mártir, um jovem dândi vestido de verde e toque vermelho, olha-nos de forma ousada. Representa o próprio pintor, apenas com 23 anos. Devido à sua predilecção pelas cores naturais e ao interesse pelas plantas e pelas árvores, ficou conhecido por Grien (Verde).
A oficina de Grien tinha uma larga produção não apenas de vitrais e iluminuras, mas também de um grande número de desenhos e gravuras que reflectem o espírito do Humanismo e da sua vontade de representar o corpo recentemente redescoberto, com ele exaltando também a carne.
A queda do homem, a efemeridade dos prazeres terrenos, foram os temas predominantes da sua obra. A Dança da Morte era o tema favorito dos frescos medievais, mostrando a transitoriedade da vida e exortando o observador a cuidar da salvação da alma antes que fosse tarde. Ninguém podia escapar à morte, nem mesmo as mais belas donzelas na flor da idade.
A partir de 1500, Baldung começou a apresentar esse tema numa linguagem cada vez mais intensa. Com regozijo, a morte abate-se sorrateiramente sobre as suas vítimas surpresas. O pequeno formato destes quadros sugere que seriam realizados para contemplação na privacidade do lar.
Uma bela jovem observa o seu reflexo num espelho. Aos seus pés, um cupido. Triunfante, a Morte acena sobre ela com uma ampulheta, o que parece conferir-lhe poderes mágicos. A Morte apresenta-se decadente. O cabelo brota-lhe do crânio e a carne pende-lhe dos ossos. Mas ainda possui vida. Ao contrário de outras representações do pintor, em que os esqueletos macabros se erguem de uma mesa de dissecação, este ainda possui corpo e parece até sentir alguns remorsos.
A pintura de Grien tem sido interpretada como uma alegoria à Vaidade, à efemeridade dos prazeres mundanos. Mas há também quem veja nela a personificação de um dos Sete Pecados Mortais, a Luxúria, confrontada com as inevitáveis consequências das suas acções.




Belo o quadro, bela a descrição.
Abraço.
Comentário por Roteia — Janeiro 21, 2007 @ 12:19 am