S/a Pálpebra da Página

Fevereiro 9, 2007

Da Pintura – V (II parte)

Arquivado em: Arts, Films, Literature — casoual @ 3:47 am
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Wilhelm von Kaulbach

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«A Destruição de Jerusalém» pelos romanos transformou-se num capítulo singular de uma vasta epopeia histórica. Uma epopeia em que os monarcas cavalgam em grande aparato com a sua corte, e as vítimas da história se baixam servilmente e sofrem.
O mundo de Kaulbach é um mundo de vítimas e de homicidas. A visão do artista da história tende a polarizar, por um lado a crueldade, por outro uma doce inocência. Atente-se nos anjos que auxiliam o Santo Graal. E, por baixo, no grupo de catequese absorvido na sua própria bondade. É uma bondade personificada pela doce inocência das crianças, tal como Kaulbach as via.
A influência de Kaulbach no gosto popular talvez não fosse tão grande como ele gostaria. Em vez de apontar o caminho à arte moderna, ele deu-nos um kitsch moderno: os pequenos quadros de anjos que pairam imóveis sobre os livros das crianças devem pouco a Rafael. O artista podia ter sentido que a grande glória daquele kitsch se devia a ele… Surpreendentemente, o que não perdera fama haviam sido as ilustrações de Kaulbach para Reineke Fuchs, de Goethe, que ele realizou no mesmo período em que pintou a «Destruição». Certamente que não há nestas doçura, apenas uma sátira um tanto carregada, na qual o reino animal é selvaticamente humanizado. A inclinação do artista para a violência encontra uma saída nas referências trocistas aos métodos de persuasão outrora usados pela Igreja Católica Romana.
No entanto, apesar de não ser este o caminho que a pintura haveria de seguir, nem tudo estava perdido. As artes visuais não ignoraram o exemplo operático adoptado por Wilhelm von Kaulbach. E o seu espírito renasceria numa nova forma de arte… em Hollywood. Durante a I Guerra Mundial, David Griffith realiza a primeira epopeia em filme:

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e, um ano mais tarde, a gigantesca produção «Intolerância». Se Griffith soubesse que Kaulbach já tinha contado tais episódios em pintura, ficaria desconfiado. O que não há dúvida é que se o pintor tivesse vivido 70 anos mais tarde, teria adorado realizar cenas como as do cineasta.

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Talvez seja esse o sonho em que a fama de Kaulbach pode perpetuar-se.

Imagens: Ilustração de Kaulbach para Reineke Fuchs, de Goethe; fotogramas de The Birth of a Nation e Intolerance.

1 Comentário

  1. já vi esta treta uma serie de vezes e acabo doente.

    fodido.

    nao sei se ache um grande filme ou um filme grande

    Comment por holeart — Fevereiro 9, 2007 @ 7:46 am


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