S/a Pálpebra da Página

Fevereiro 18, 2007

Dos Poetas – III

Arquivado em: Poetry — casoual @ 7:05 am
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C. CAVAFIS

I

DESDE AS NOVE HORAS

Meia-noite e meia. O tempo passou rápido,
desde que às nove horas acendi a luz
e me sentei aqui. Fiquei sem ler,
sem falar. Com quem poderia falar,
eu que vivo só nesta casa.

O fantasma da minha juventude,
desde que às nove horas acendi a luz,
veio ter comigo e lembrar-me
o perfume dos quartos fechados
e o prazer passado – um prazer tão audacioso!
Pôs-me também perante
ruas que não seria capaz de reconhecer hoje,
encontros frequentes que já não existem,
e teatros e cafés que tiveram a sua época.

O fantasma da minha juventude

trouxe-me também algumas tristezas,
lutos de família, separações,
opiniões de amigos, vontades
de mortos que valem pouco.

Meia-noite e meia. Como o tempo passou.
Meia-noite e meia. Como os anos passaram.

Versão de Carlos Sousa de Almeida

No arquivo Cavafis, pode consultar-se este poema em versão de R. M. Sulis, M. P. V. Jolkesky, A. T. Nicolacópulos.

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