C. CAVAFIS
VI
UMA NOITE
O quarto era pobre e vulgar,
escondido por cima da taberna obscura.
Da janela, via-se a ruela,
estreita e sórdida. De baixo subiam
as vozes de alguns operários
que jogavam às cartas e se divertiam.
E aqui, sobre o humilde leito plebeu,
possuí o corpo do amor, possuí os lábios
voluptuosos e vermelhos de êxtase,
vermelhos de um tal êxtase que até ao momento
em que escrevo, após tantos anos!
na solidão da minha casa, me sinto de novo inebriado.
VII
PROMESSAS
Promete regularmente começar uma vida melhor.
Quando, porém, vem a noite com suas sugestões próprias,
com suas disposições e certezas,
quando vem a noite com sua força própria,
a do corpo que o reclama e exige,
na mesma alegria fatal, desvairado, volta a mergulhar.
Versão de Carlos Sousa de Almeida



