S/a Pálpebra da Página

Março 3, 2007

Da Pintura – VII (1ª parte)

Arquivado em: Arts — casoual @ 12:09 am

Gabriele Münter, Rua de Aldeia no Inverno, 1911

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O dia 19 de Fevereiro de 1957 era o octogésimo aniversário da pintora alemã Gabriele Münter. O presente, no entanto, foi ela que o ofertou. A Lenbachaus, em Munique, recebeu da pintora uma série de obras, acrescidas de muitos trabalhos de artistas que tinham sido seus amigos antes da I Guerra Mundial, quando eram virtualmente desconhecidos. Entre estes, o mais destacado era Vassily Kandinsky, com quem viveria muitos anos. Sem ela, teria sido difícil a Kandinsky sobreviver nesses primeiros anos. E sem ele, Gabriele não teria alcançado a craveira artística que alcançou.
Rua de Aldeia no Inverno, é uma obra contemporânea da fase mais geométrica do Cubismo em França, de Picasso e de Braque. E a consciência do Cubismo está claramente reflectida na tela: a ausência de perspectiva, os contornos reduzidos a simples blocos, as cores simplificadas.
Kandinsky pintou um retrato de Gabriele Münter em 1905, estava ela ainda na casa dos vinte anos. E ele na sua fase mais académica. Kandinsky, que a conhecera em Munique poucos anos antes, tornara-se seu mestre e amante.
E com Kandinsky, ela rompeu com os princípios convencionais, apanhada num círculo de pintores, todos determinados a alargar os caminhos da arte em novas direcções e a adoptar as ideias frescas que vinham, na sua maior parte, de França. Entre esses novos amigos, contavam-se Jawlensky, Franz Marc, August Macke e, na primeira linha, como sempre, Kandinsky.
Gabriele retratou-o menos convencionalmente do que ele o tinha feito num quadro chamado simplesmente Homem à Mesa. Uma vez mais, tudo está reduzido aos elementos básicos: contornos fortemente traçados a negro – a planta, a chávena e o pires, o pão, a toalha branca, a figura barbuda do pintor.
No seu trabalho, nunca há qualquer sentimento de tensão. Existe sempre um sentido de harmonia, um aspecto ilusoriamente simples e fácil de compreender.

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