Gabriele Münter, Paisagem Outonal, 1910

Como muitos dos grandes artistas alemães do seu tempo, Gabriele Münter prestava atenção não apenas aos cubistas, mas também a Gauguin, à visão de um tema em termos de padrões de cor que produziam ritmo: o azul é eco do azul, o verde reflecte-se no verde, o branco no branco sujo.
O uso da cor é o que mais prazer causa nos quadros de Gabriele. Era um dom natural, que não devia nada a ninguém, ainda que o encorajamento de Kandinsky e de outros pintores que se reuniam na sua casa em Murnau pareçam ter feito com que esse dom se revelasse.
O abismo anima-se com o brilho de uma luz de Inverno sob um céu ventoso. Como ela explicou certa vez: «Após um período de angústia, dei um grande salto da cópia da natureza para, de uma forma mais impressionista, confiar na intuição que tinha do conteúdo, da abstracção, realizando a verdadeira essência de um tema.» Nessa época, Kandinsky tinha as mesmas preocupações com os mesmos tópicos. Mas as semelhanças entre eles e a amplitude da cor são produto de um temperamento muito diferente. Já a caminho da composição abstracta. Decorria o ano – 1911 – em que Kandinsky escreveu o seu famoso ensaio advogando a pintura não representativa: «Do Espiritual na Arte».
Grabriele Münter era mais realista. Apreciava a simplificação, mas a qualidade da composição da sua obra parece realçar o sentido do lugar e não diminuí-lo. Enquanto a arte de Kandinsky é sempre transcendental, a força de Gabriele reside no domínio daquilo que é sólido e natural numa determinada paisagem. Como é o caso da obra aqui mostrada.




munter…
sabes que eu nunca acreditei na pintura fora dela propria?
em 1972
entrei numa sala e descobri serge poliakoff
senti um orgasmo
a pintura onde a materia e o gesto são a narrativa
ainda há quem perca tempo com o certos gajos.
munter… é magnifico
Comment por holeart — Março 9, 2007 @ 6:59 am