S/a Pálpebra da Página

Março 23, 2007

Da Pintura – VIII (2ª parte)

Arquivado em: Arts — casoual @ 4:54 am
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Como muitos pintores e poetas do século XIX, Caspar fez da paisagem o tema principal.
Pintou-a em todas as suas variedades, desde a calma dos prados, perto da sua cidade natal de Greifswald, no Báltico…

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até à épica majestade dos picos de montanha, cavernas e penhascos escarpados…

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Para Friedrich, uma pintura não era mais nem menos que um meio pelo qual a visão íntima de cada um se reproduz na mente dos outros. Mas talvez não devamos levá-lo inteiramente à letra. Apesar dos esforços do pintor para realçar o elevado nível com que os seus quadros foram trabalhados, O Mar Polar constitui, de facto, um excelente registo das preocupações da década de 1820, altura em que foi pintado.

Em 1819, foi realizada uma expedição ao Pólo Norte pelo inglês William Edward Parry que despertou a atenção do público em toda a Europa. O drama das expedições ao Árctico com os barcos encalhados despertava um grande espírito de aventura, especialmente por causa do terror do cenário: o deserto gelado, inconcebivelmente distante.

O quadro de Friedrich (O Mar Polar) possui os pormenores próprios de uma notícia, mas ele evoca também um cenário como o fazem as pinturas de paisagem. No entanto, aqui tudo está concentrado numa imagem chocante, ainda que esteticamente interessante. E os olhos do artista apenderam a trabalhar cuidadosamente a tela para que ela para possa surtir efeito.

Imagens: 1 e 2

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