Wolf Vostell, Coca-Cola, 1961
Os materiais utilizados por Vostell são obtidos a partir do mesmo mundo vulgar de revistas e jornais, televisores e publicidade, cartazes e embalagens, que os materiais dos seus contemporâneos, os artistas pop americanos; mas enquanto a arte deles celebra a cultura consumista dos anos 60, Vostell parece despedaçá-la em fragmentos imundos. Aquilo que os artistas pop americanos exaltam é questionado por Vostell. O que eles aplaudem, ele destrói-o. A destruição inclui a imagem tradicional do artista. Vostell foi um pioneiro do «happening» e da «action-art». Levou o seu trabalho para fora das galerias, para a rua. «A vida e as pessoas», disse, «é que são arte.»
Wolf Vostell nasceu em Leverkusen, em 1936. A primeira formação artística que teve foi na impressão e litografia. Em 1954, ainda estudante na Escola de Artes de Wuppertal, descobriu uma técnica que se transformou no centro do seu trabalho.
Chamou-lhe «décollage», de arrancar, descolar, raspar, o oposto de «collage». Nas suas mãos, o acto de remover para mostrar o que está por baixo tornou-se não só numa técnica, mas numa forma de pensar. «A minha arte», disse Vostell, «pretende chocar o consumidor alemão comum.»
Coca-Cola, de 1961, foi realizado por este método de décollage. É uma imagem de instabilidade e desordem. A superfície é rasgada para mostrar as outras superfícies, os outros produtos, as outras épocas ocultas. O cartaz Coca-Cola foi maltratado. A sua mensagem é um desafio.
Na arte de Vostell, a beleza e a brutalidade são apresentadas frontalmente. «A arte só é possível», afirmou, «se reconhecermos a morte. [...] Não estou a pensar na morte como imagem, como a Dança da Morte, mas antes como uma consciência da instabilidade do momento que passa.»




