S/a Pálpebra da Página

Maio 15, 2007

Tenho uma dor – IV

Arquivado em: Semantics — casoual @ 12:51 am

Porque hoje é sábado. Há reunião. Com hora marcada para fornicar. Em nome dele. Do governo ou dos vaticanos. Para uns há camisinhas, de sabores e cores, para outros os mucos elásticos e as temperaturas. Abrem-se as janelas em voz alta de par em par. Congregação. Como são vaporosos os dias ao fim-de-semana. Haverá bolos ao lanche. Investe-se em sonhos espessos e compram-se os livros que o crítico mandar. Ah que fervores obscenos não são as fitas de fim-de-semana!De manhã, ao sábado, o desejo é intenso, fulgurante, na mãe ao domingo por visitar. Vénus de inconsciência nos pontos luminosos e frescos dos demónios da carne. Sarabandas. Pijamas entreabertos. Casas de banho com tempo. Os líquidos orgânicos correm melhor ao sábado. Porque o dia seguinte é domingo. E então, ela, ou ele, dizem erupção, ao fim da noite de sábado. Atam-se. E nomeiam o leite e o pão. Que quente os invade. E fingem que renascem no vazio que os separa. Ferida. Cicatriz. Porque há curvas que são amadas. A mãe fará torta recheada ao domingo. E os meninos, muito espertos, brincarão com o avô e o tamagochi.

Na pele viva do sangue, há bombas que roncam ao sábado. Serão, os dois, gestas, abismos de necessidade no passeio ao fim da tarde. Lacerados. Nostálgicos de grandes superfícies. Porque ao domingo, há os ccbs e as expos para desenfastiar.

A gestação seca, arranhada, é ao sábado. Ela diz espera. A longa espera. Ele diz conter, asfixiar, absorver. A resistência está na espera. Um diz carícia, outro vibração. O segredo é uma incisão. A vaga, deserta, preenchê-los-á ao sábado.

As veias da violência são transparentes no tempo com que se iluminam. Ao sábado. Porque o dia seguinte será domingo. E verão melhor os pobrezinhos que passam na tv. Contribuem para as ong com arroz e dormem descansados. Porque o dia seguinte é domingo.

Imagem: Gobber

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