Bom tipo – I
Dá-me, às vezes, para a pastorícia.
Perdão… é que estou para aqui mais ou menos numa febre fria, num baloiçar de candeeiro e explodiu-me. O desejo. Não de falar, que trago os nervos verdes. Mas de, lentamente, assassinar, trucidar o significado objectivo de certas palavras. Dormideira, por exemplo. Sim, é pesadelo. É bom tipo o povo sopeado pela dormideira.

Bom tipo – II
Alimenta-se o bom tipo da procura de alimento: as imagens, autofágicas, são o pasto da sua existência. O bom tipo coloca-se na posição de suscitador. Aguarda as imagens dos seus pensamentos. Abre as janelas para as poder observar melhor. Enquadra deste modo as imagens consentidas dos seus pensamentos. E assim, por essa abertura mitológica da sua fixação, escorrega para dentro das imagens. Cai dentro delas. Não sabe o que lhe aconteceu. E vê-se-lhe uma boca em forma de assim. Coloca, então, de imediato uma tabuleta ao alto: Bom Tipo. De vera dor, geme, mas não é preciso que os cães ladrem: o rebanho mantém-se unido e responde sempre ao assobio do pastor. E não é o pastor que cuida das ovelhas?
Imagem: Ana Alberca, Red Blood



