S/a Pálpebra da Página

Junho 2, 2007

«L’infra-ordinaire» – I

Arquivado em: Literature — casoual @ 2:27 am

obsceno o erro a bruma uma feira eléctrica alfabeto muro escrevo a perna a orelha africana o sexo paralítico eras tu sim palavra de homem um silêncio e eu deitado no sofá um mutilado entre seres que te observam de vasos húmidos à janela vi claramente l’aboutissement da perfeição entre o fim e o crepúsculo fragilidade é outro o jogo estou

aberto de orifícios e agora
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agora
escrevo pensar talvez um dia lembras-te do square tolstoi não sei que ver andaimes que caem para dentro enlouqueci uma primeira vez há pessoas virtuosas deus por que será tem imensos acólitos alojam-se os diabinhos em caves modernas ou partouzes colombescos não cascais o alto o bairro nem a e(x)po novas croix-de-feu continuas continuo deus sem deus ah é nova a educação sentimental outros stendhais

nunca se sabe como começam é verdade as classes são distintas dizia uma frase experimental o fim da arte é a paz a morte é um mural de sentidos tal união não é possível

por fora
basta saber que sonharam e morreram morrer é o preço engendrados pela máquina jamais se é aprendiz neste mundo de ferro talvez com o estoicismo eu vá de encontro à imediatez e ultrapassado pelo futuro fale de alguns desses encontros

«L’infra-ordinaire» é um empréstimo tomado de Georges Perec

Imagem: Jorge Molder | JM 128
O Azul do Céu – a G.B. | 2000

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