
Perante o espectáculo penso que o jogo há-de consistir em fingir que não há nada de burlesco na ilegibilidade dos relatos noticiosos e cada leitor deve apalpando o seu próprio passamento obliviar tudo o que é perigoso concentrando-se nas batatas fritas que vêm agora com mais um sabor na língua congelada que nos chega das américas no pescador que espetou um anzol na cabeça por antegozar o próximo prémio da santa casa trata-se de encenar cada um o seu próprio espectáculo estão enunciadas as regras.
VIVA PORTUGAL! – Hoje é dia de S. Camões, de quem Vasco Graça Moura tem um ensaio soberbo, em edição de autor (Lisboa, 1985), titulado Camões e a Divina Proporção, dedicado às redondilhas Sobre os rios, as quais, credo, vêm muito a propósito, pois «il pianto collectivo del popolo d’Israele si converte nel pianto singole del poeta esiliato Luis Vaz de Camões», segundo L.S.Picchio, Biografia e autobiografia.
Atentai, vós (desusado pronome nesta terra de importações), no entanto, no que diz Gómez Manrique, pela mesma altura, no regimento dos Príncipes em metros (Álvaro Lopes de Chaves, Livro de Apontamentos):
O rezar dos saltérios
o dizer bem das oras
leixai a as oradoras
que estam nos moesteiros
uos senhora por reger
uossos pouos e regioes
por fazerdes bom uiuer
pollos maos correger
posponde as orações.
Imagem: Edward Hopper, Girlie Show



