S/a Pálpebra da Página

Junho 11, 2007

«L’Infra-Ordinaire» – V

Arquivado em: Semantics — casoual @ 3:05 am

A pintora Maria Amaral interroga-se sobre o que distingue actualmente o homem do animal?

Numa carta recentemente descoberta que Hemingway escreveu a Ezra Pound em 1925, aquele parece vir dar resposta à pergunta: por que são os touros melhores que os críticos literários? Os bichos de 25 anos não casam com velhas de 55 nem estão à espera de ser convidados para o jantar, não citam ninguém como testemunha em processos de divórcio, não pedem dinheiro emprestado e, depois de mortos, ainda servem para comer.

Prefiro de longe uma boa faena à fauna portuguesa «da coisa literária» com os seus fradescos solipsismos de um padre M, de um lidador P, de um cozinheiro F et caetera, rematada pelo «Nada mais belo do que a morte nos pode acontecer» de Walt Whitman.

Porque o que importa é o homem que seja capaz de imputação, ou seja, capaz de ser responsável. «Il revient a une phénomenologie de l’homme capable d’isoler la capacité qui trouve son expression la plus appropriée dans l’imputabilité. (P. Ricoeur, Parcours de la Reconnaissance). A suivre, peut-être.

Imagem: Maria Amaral, Suenos de Toro

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