S/a Pálpebra da Página

Julho 1, 2007

Da Pintura – X (2 de 3)

Arquivado em: Arts — casoual @ 2:50 am
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Geertgen Tot Sint Jans

Com a intensidade do seu questionamento, João perturba a paz da paisagem, mas o questionamento não é provocado pela incerteza, ele é inspirado pela fé.
Na gravura de Dürer, Melancolia, a procura de compreensão está repleta de perturbação, de dúvidas reais criadas pelas ideias da Reforma e da Renascença.
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Nas duas imagens, as figuras têm posições semelhantes: o olhar absorto e concentrado na distância e, simultaneamente, na meditação, no olhar para dentro. No entanto, em Dürer há agitação intelectual, procura de conhecimento, de compreensão das contradições do mundo. Em Geertgen, há certeza. Na sua paisagem nórdica, que se perde na distância do azul, há realmente paz. Embora esteja presente o conhecimento do Juízo Final, ele parece muito distante.
O santo está sentado numa paisagem deserta, longe das pessoas ou de qualquer lugar abrigado. Naquele tempo, isto era entendido como se ele estivesse indefeso, exposto. O deserto bíblico foi transformado num campo de erva macia e em pedaços de floresta. É óbvio que Geertgen, falecido com cerca de 30 anos, gostava deste tipo de paisagem.
O tema do santo em meditação surgia amiúde na arte medieval. E estas pinturas de devoção eram comuns na Europa. Se bem que diferentes nos seus pormenores, elas assemelham-se na ideia subjacente, reflectindo o carácter internacional da cultura medieval. A pintura italiana da escola de Perugino, o mestre de Rafael, mostra paralelos notáveis com o pensamento pictórico dos pintores flamengos e da Itália central.

Imagem: Melancolia, Dürer

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