«How to Became Posthuman» *

Diário (amiúde sob o signo do de ut de)

Dia 1

- (rasurado) lucidez de lepra. esta casa. viajei dias e noites até arrumar a velha. chegar e não te encontrar. as árvores despontavam. não, sonhavas. caía a folha ainda. como o meu corpo que agora vai desaparecendo. para ti? seria, pois, uma ilha. não me tiraste a dúvida. uma ilha que criei. uma febre. com quem nunca dormi. poderia dizer-te, contar-te uma história. mas repouso. apetece-me. dói-me. e a história não acaba.

- (ainda rasurado e já madrugada) era a madeira que cantava. o couro. o mel. le savoir-faire. ou vivre. minuciente. iniciante. virtuosa. iniciada. griot que tocava. timbre. arquétipo do sensual. mas como diz o provérbio: «Se vires um sapo numa elevação, é porque não tem paz em terra.»

* Um diário que nada deve a K. Hayles se não o título que lhe tomei de empréstimo.

Imagem: Kora, instrumento africano