S/a Pálpebra da Página

Abril 11, 2008

Da Pintura XII (2 de 2)

Arquivado em: Arts — casoual @ 4:21 pm
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Wilhelm Maria Hubertus Leibl

«A visão é tudo», escreveu Leibl, «mas muito poucos conseguem ver.» Para ele, o acto de ver não se ficava nas aparências, significava apreender o invulgar pormenor revelador – um olhar ou um gesto, uma pose ou um movimento – que falasse da vida íntima. Enquanto alguns dos seus contemporâneos em França – Monet e Pissarro, por exemplo – registavam puras impressões, Leibl ocupava-se de uma realidade detectável apenas de forma descontínua, à superfície.

Embora a obra Três Mulheres na Igreja não tenha sido elogiada por toda a gente quando da primeira exibição, o quadro é hoje em dia considerado a sua obra-prima. Nele, Leibl captou bem a piedade campesina.

O artista foi pintar para Berblingen em 1878 a convite do prior local. Nos cinco anos anteriores, vivera em duas outras aldeias. Até 1873, mal travara ainda conhecimento com a vida campesina quando, de um momento para o outro, compreendeu que só isso lhe interessava. A rejeição de Munique e de tudo o que ela representava começara quatro anos antes, depois de ter atraído a atenção de Gustave Courbet e passado um emocionante ano em Paris. Após o regresso, ultrapassou rapidamente os competentes mas severos retratos como o da sua tia Helene Leibl, realizado no tempo em que estudava na Academia de Munique. A partida da cidade determina mais que um simples melhoramento na técnica do pintor. Assinala a rejeição do artifício imoral da vida urbana. A mulher do campo, o seu novo tema, foi pintada com um arrojo e uma frescura nunca antes vistos no seu trabalho. Leibl apreciava claramente o ambiente rural: «Aqui», disse ele, «pode pintar-se com naturalidade.»

Na altura em que pintou este casal de camponeses, já se havia mudado de Berblingen para Aibling, mas ao fim de dois anos, considerou-a demasiado povoada e voltou a mudar-se. Ao contrário da maioria dos artistas que trabalharam nos meios rurais, por exemplo, François Millet, Leibl nunca pintou camponeses a trabalhar nos campos. Não era a terra em si que lhe interessava, mas o seu efeito sobre o carácter daqueles que nela viviam. As pessoas fascinavam-no, eram elas que lhe importavam, não a sua fixação na tela.

As suas figuras parecem-se mais com indivíduos que com arquétipos, no entanto, o que mais lhe agradava era que o seu trabalho fosse apreciado não só pelos especialistas mas também pela gente local: «Alguns camponeses vieram ver o quadro nos últimos tempos», escrevia ele a um amigo, «e instintivamente punham as mãos defronte e um deles exclamou mesmo: “É um trabalho de mestre.”»

Imagem: 1 – Wilhelm Leibl, Camponesa com lenço branco, 1885; 2 - Pé-de-meia, 1879

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