S/a Pálpebra da Página

Junho 5, 2008

Da pintura – XIII (1 de 2)

Arquivado em: Arts — casoual @ 7:01 pm
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Edvard Munch, Quatro Raparigas num Cais (ou numa Ponte)


Durante o Verão nórdico, o sol banha o mundo com uma luz peculiar durante as vinte e quatro horas do dia: a natureza torna-se misteriosa, as cores ganham uma tonalidade muito própria. As raparigas saem para uma eterna semiluminosidade das noites brancas para passear e pensar.
Quatro raparigas num cais. O pintor capta-as como tiras harmoniosas de cor branca, vermelha, verde-pálida e azul. As formas parecem agrupar-se num todo. Estão suspensas como que num estranho limbo entre a noite e o dia.
Os carris do cais formam uma poderosa diagonal que atrai a atenção até ao fundo do quadro. As ruas, estreitas, fazem-nos desaparecer a incerteza. A disposição geral do quadro é vaga, alegre e sombria a um só tempo. A luz branca acentua as cores dos vestidos das raparigas, os contornos das ruas e das casas. Mas também mergulha um grupo de árvores do lado da água numa escuridão impenetrável, uma escuridão que cai sobre as águas azuis-escuras do fiorde.
Será dia ou noite? Um sonho ou realidade? Parece que as raparigas esperam alguma coisa. Uma delas voltou-se e olha-nos de dentro do quadro. No entanto, somos nós que nos sentimos obrigados a olhar para ela. Por baixo dos seus cabelos louros, não vemos nem olhos nem rosto.
Estas calmas noites brancas do Verão nórdico eram muito apreciadas por Munch. As «raparigas sobre um cais» tornaram-se num tema obsessivo para ele. Existem, pelo menos, uma dezena e meia de versões deste quadro em pinturas, gravuras, entalhes em madeira e litografias. A primeira é de 1899, quando Munch passou os meses de Verão em Aasgaardstrand, na Noruega, coisa que repetiria várias vezes nos anos seguintes.

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