«Não somos dos beatos da palavra, dos gulosos de figuras e de tropos, que dão à eloquência – no sentido vulgar desta palavra -, uma adoração que ela não merece. Consideramos Longino e Quintiliano como uns pobres instrutores de pedantes, pelos quais professamos um respeito extremamente comedido.» Ramalho Ortigão, As Farpas, IX
Acerca do livro de Ana Luísa Amaral, Entre dois rios e outras noites, Grande Prémio 2007 de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores, Rosa Maria Martelo escreve na Colóquio/Letras – condicio sine qua non para o reconhecimento dos formatadores da leitura do consenso – aquilo que pode ser visto como uma sub specie ideologiae da prática ensaística, tiradas líricas, mitologias de verdades já prontas e, assim me parece, chapa batida em qualquer manual de academismo retórico (auto-remissão constante). E se a poesia da autora já nada me dizia, revelava ou levava a descobrir, com estas frases bem polidas, mais fácil se me torna a opção: «[...] o que aconteceria “[s]e tudo fosse só êxtase súbito”?» Ora, não farei parte da hipnose. Escuso-me de dizer qual.
Imagem: fotograma de Mahabarata, Peter Brook


