S/a Pálpebra da Página

Junho 26, 2008

dos poemas intemporais – I

Arquivado em: Poetry — casoual @ 5:12 am

«When my love swears that she is made of truth,
I do believe her, though I know she lies,

Therefore I lie with her and she with me,
And in our faults by lies we flatter’d be.» Shakespeare, Sonnet 138

estava frio.
(um quase nada)
a justeza do poético
só nesse momento se revelara.

correm as letras
numa carta. lida por
dois. quero dizer:
primeiro tu quando
a imaginavas,
depois tu quando
a molhavas.

era um coração
feroz.
não tinha dono.

estava com a alma
nos pés. passou um cachorro:
a fenomenologia do espírito
em dégradé.

era sob a ponte.
observava o tempo. um papel
amarelo. palavras
no calor.

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