S/a Pálpebra da Página

Julho 18, 2008

O último gomo mítico *

Arquivado em: Poetry — casoual @ 11:46 pm

Da história não reza
o silêncio, nem a fome
da geografia, a sombra
do poema que gostaria de ter
escrito, o barco que lavraria
com estas mãos empapadas do
último gomo mítico.
A vertigem mágica de uma
gramática livre soçobra
no hausto da sílaba. Talvez,
talvez chegue ao nervo
da língua, um dia.

* Li e reli o Nuno Júdice, em tempos, quando ainda acreditava na ideia metafísica e redentora do amor e da poesia. E este poema resultou da minha leitura do seu «as inumeráveis águas» – creio que em 1979/80, já não sei, encontrei-o há tempos numa página amarelecida dentro do livro – na colecção «cadernos peninsulares» da Assírio & Alvim, dirigida precisamente pelo João Carlos Alvim, que vim a conhecer mais tarde como editor.

Imagem: Coupe en émaux peints au décor de «art mise» au centre, entourée de fleurs attachées en bouquets sur l’aile, Limoges, séc. XVIII

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