Georges de La Tour, O Batoteiro do Ás de Ouros (c. 1635)
«Que vaidade a da pintura, que desperta a admiração através da semelhança por coisas das quais não admiramos os originais!», Blaise Pascal
1 – No ano de 1972, teve lugar a memorável retrospectiva de La Tour nas Tulherias, no museu de l’Orangerie. Pela primeira vez eram reunidos 31 originais e havia uma secção reservada às obras em estudo. Durante a exposição, o Louvre compra O Batoteiro por dez milhões de francos, o valor mais elevado até então pago pelo museu pela aquisição de um quadro.
Em 1980, especialistas ingleses declaram que O Batoteiro seria obra moderna, realizada entre 1920 e 1940 por falsários: inverosimilhança do vestuário e dos chapéus, cópia de bordados de outros quadros, anacronismo das jóias, falsas perspectivas, etc.
Estudos técnicos vêm, porém, a revelar a presença de certos pigmentos do séc. XVII desconhecidos no princípio do séc. XX e só recentemente descobertos. Outras análises feitas provaram a antiguidade da obra.
2 – A imagem parece improvável, excessiva: há demasiada luz, demasiada cor, demasiado romanesco. É o jogo como símbolo do mundo.
3 – Os homens e as mulheres, os senhores e os criados, os ganhadores e os perdedores, os espertos e os néscios. A falsidade dos olhares deste mundo. Só o ouro sobrevive.
Outra versão do mesmo tema:
Georges de La Tour, O Batoteiro do Ás de Paus, tela prov. anterior ao Batoteiro do Ás de Ouros (na ligação, um bom estudo comparativo das duas obras)





