S/a Pálpebra da Página

Outubro 12, 2008

A paisagem – V

Arquivado em: Arts, Films — casoual @ 11:42 pm
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«While James Benning’s 13 Lakes captures the materiality, self-equilibration, and memory of water, the film’s equally rigorous and abstractly hypnotic companion piece, Ten Skies illustrates the mutability, ephermerality, and transience of nature. »

«Nous savons depuis André Bazin que l’écran de cinéma ne fonctionne pas comme le cadre d’un tableau, mais comme “un cache qui ne montre qu’une partie de l’événement”.»(1)

À semelhança da  literatura moderna, a arte viu-se confrontada com a ruptura dos seus quadros de referência; e houve necessidade de, também ela, reflectir a transformação conceptual que a mudança arrastou consigo na relação entre o tempo e o espaço. As feridas causadas pela acção do homem sobre a natureza e a guerra, para dar dois exemplos,  levaram à fragmentação do discurso, e a arte, e a literatura, na sua qualidade de mediadoras, espelharam esse mal-estar profundo.

A natureza, no entanto, nunca deixou de ter sobre o homem um efeito «sentimental», lembrando-lhe a sua transitoriedade neste mundo, fazendo com que ele a idealize. Esse foi sempre o outro contraponto na procura da harmonia perdida: «Stimmung», «le sentiment de la nature». Para os românticos, a representação da paisagem era um paradoxo: o indivíduo que vive na «paisagem» reage enfaticamente a ela, mas exige igualmente que a sua representação tenha autenticidade, digamos assim, em si e por si. E é um paradoxo que continua, ainda hoje, a estar para lá de qualquer cultura e nação, a procura de um locus amoenus.

(1) Pascal Bonitzer, Le champ aveugle, essai sur le réalisme au cinéma, Petite Bibliothèque des Cahiers du cinéma, 1999, p. 81

Imagens: fotogramas de Ten skies e 13 lakes, de James Benning

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