«Poeta em Anos de Prosa! Oh! Figueiredo, Figueiredo, que grande homem não foste tu, pois imaginaste esse título que só ele em si é um volume! Há livros, e conheço muitos, que não deviam ter título, nem o título é nada deles.
[...]
E há títulos também que não deviam ter livro, porque nenhum livro é possível escrever que os desempenhe como eles merecem.
Poeta em Anos de Prosa é um desses.
Eu não leio nenhuma das raras coisas que hoje se escrevem verdadeiramente belas, isto é, simples, verdadeiras e, por consequência, sublimes, que não exclame com sincero pesadume cá de dentro: Poeta em Anos de Prosa!
Pois este é século para poetas? Ou temos nós poetas para este século?…
Temos, sim; eu conheço três: Bonaparte, Sílvio Pélico e o barão de Rothschild.
O primeiro fez a sua Ilíada com a espada, o segundo com a paciência, o último com o dinheiro.
São os três agentes, as três entidades, as três divindades da época.
Ou cortar com Bonaparte, ou comprar com Rothschild, ou sofrer e ter paciência com Sílvio Pélico.
Todo o que fizer doutra poesia – e doutra prosa também – é tolo…» Almeida Garrett, Viagens na Minha Terra, cap. IX
Imagem: Houdini


